Por que 2026 marca uma mudança estrutural para empresas com operações no Brasil

O Brasil está entrando em uma nova fase da agenda ESG (ambiental, social e governança). Em poucos anos, o país avançou rapidamente de iniciativas voluntárias e relatórios fragmentados para um arcabouço regulatório estruturado, que coloca informações ambientais, sociais e climáticas no centro da tomada de decisão empresarial e do reporte financeiro.

Dois movimentos se destacam nesse processo:

  • A adoção de reportes de sustentabilidade obrigatórios alinhados ao ISSB, por meio da Resolução CVM nº 193
  • A criação de um mercado regulado de carbono, com exigências formais de monitoramento, reporte e verificação (MRV), o SBCE

Juntos, esses avanços enviam um sinal claro ao mercado: dados ESG no Brasil deixam de ser narrativos ou opcionais e passam a exigir rigor técnico, consistência e rastreabilidade ao longo do tempo.

A adoção do ISSB: ESG passa a integrar o reporte financeiro

Em outubro de 2023, o Brasil tornou‑se o primeiro país do mundo a incorporar formalmente os padrões do International Sustainability Standards Board (ISSB) — IFRS S1 e IFRS S2 — à sua regulamentação, por meio da Resolução CVM nº 193.

A partir dos exercícios iniciados em 1º de janeiro de 2026, companhias abertas deverão divulgar informações financeiras relacionadas à sustentabilidade e ao clima, com expectativa de asseguração independente (“reasonable assurance”).

Na prática, isso significa que:

  • Riscos e oportunidades ESG passam a integrar avaliações de valor e resiliência do negócio
  • Informações climáticas vão além de emissões isoladas, incluindo governança, estratégia, gestão de riscos e métricas
  • Relatórios de sustentabilidade deixam de ser apenas peças de comunicação e passam a ter peso regulatório e financeiro

Para muitas empresas, esse novo modelo representa um desafio operacional relevante. Dados ESG frequentemente estão dispersos entre áreas, subsidiárias e fornecedores, sem padronização, controles ou trilhas de auditoria claras. O ISSB acelera uma transição que, em outros contextos, levou mais de uma década para se consolidar.

Onde as empresas mais sentem dificuldade: do reporte ao sistema

Embora a direção regulatória esteja clara, a implementação prática ainda é um ponto crítico. O principal desafio não é a falta de intenção, mas sim a ausência de sistemas estruturados que sustentem o reporte ESG com qualidade ao longo do tempo.

Entre os pontos mais recorrentes estão:

  • Coleta manual de dados em planilhas
  • Falta de rastreabilidade entre indicadores e evidências
  • Dificuldade de alinhar dados de carbono com governança e estratégia
  • Retrabalho para atender múltiplos frameworks e solicitações (CVM, investidores, bancos)

Nesse cenário, há o risco de tratar a conformidade com o ISSB como um exercício pontual de reporte, e não como uma mudança estrutural na forma como a sustentabilidade é gerida.

O mercado regulado de carbono: o SBCE adiciona uma nova camada de responsabilidade

Em paralelo às exigências de disclosure, o Brasil aprovou a Lei nº 15.042/2024, que instituiu o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE). O modelo adota uma lógica de “cap and trade” e estabelece obrigações graduais de monitoramento, reporte e verificação de emissões.

Entre os principais pontos do SBCE estão:

  • Obrigatoriedade de reporte para empresas que emitam acima de 10.000 tCO₂e por ano
  • Obrigações completas de conformidade acima de 25.000 tCO₂e por ano
  • Abrangência de setores como indústria, energia, resíduos, transporte e outros
  • Integração entre mercado regulado e mercado voluntário de carbono

Ao longo de 2025, o governo federal avançou com a criação de estruturas institucionais, metodologias e registros necessários para a operacionalização do sistema.

Para as empresas, o impacto é claro: inventários de GEE precisam ser consistentes, comparáveis e verificáveis — não apenas estimativas anuais preparadas para relatórios.

Por que ESG, carbono e reporte não podem mais ser tratados separadamente

Um dos aspectos mais relevantes — e muitas vezes subestimado — dessa transição é a convergência entre requisitos regulatórios.

Na prática, ISSB, mercado de carbono, expectativas de financiadores e auditorias passam a se apoiar nos mesmos fundamentos:

  • Perímetro organizacional e limites operacionais
  • Inventários de emissões de GEE
  • Processos de avaliação de riscos
  • Estrutura de governança
  • Controles internos e documentação

Gerenciar cada tema de forma isolada aumenta inconsistências, retrabalho e riscos. Por outro lado, organizações que adotam abordagens integradas de dados ESG conseguem responder com mais eficiência e credibilidade às diversas demandas externas.

Esse movimento já é observado na Europa com a CSRD e tende a se consolidar também no contexto brasileiro.

Da pressão regulatória à confiança operacional

As empresas que estão avançando melhor nesse contexto são aquelas que reformularam a pergunta central:

Não se trata mais de “como produzir um relatório”,
mas de “como construir dados ESG confiáveis, ano após ano”.

É nesse ponto que ferramentas digitais e plataformas de gestão ESG ganham relevância. Não para substituir o julgamento técnico, mas para oferecer a infraestrutura necessária para organizar, consolidar e governar dados.

Plataformas como a
👉 https://www.sustainquality.com/sqimpact/

têm como objetivo apoiar esse processo ao:

  • Centralizar dados ESG e de carbono em um único ambiente
  • Estruturar informações alinhadas a frameworks como ISSB, GHG Protocol e CSRD
  • Melhorar rastreabilidade e prontidão para auditorias
  • Reduzir esforço manual e duplicação de reportes

Essas soluções não “resolvem o ESG” por si só, mas criam as condições para consistência, credibilidade e escala, permitindo que times internos foquem na análise e na melhoria contínua, e não apenas na coleta de dados.

Muito além da conformidade regulatória

A liderança do Brasil na adoção do ISSB e na criação de um mercado regulado de carbono já começa a influenciar as expectativas de investidores e parceiros internacionais.

Empresas brasileiras que buscam capital, ou multinacionais com operações no país, passam a ser avaliadas pela qualidade dos seus dados ESG, não apenas pela existência de compromissos ou metas.

Nesse contexto, estruturas sólidas de gestão ESG oferecem benefícios que vão além da conformidade:

  • Maior clareza estratégica sobre riscos operacionais e climáticos
  • Melhor alinhamento entre sustentabilidade, finanças e alta liderança
  • Redução do risco de greenwashing
  • Respostas mais rápidas e consistentes a auditorias e stakeholders

O futuro: ESG como infraestrutura, não apenas como reporte

À medida que o Brasil se aproxima de 2026, a direção é inequívoca. O ESG está deixando de ser um exercício episódico de reporte para se tornar parte da infraestrutura de gestão das organizações.

Empresas que começarem agora a estruturar seus sistemas ESG e de carbono estarão não apenas preparadas para o ISSB e o SBCE, mas também mais aptas a lidar com futuras exigências regulatórias, financeiras e de mercado.

Compreender a regulação é o primeiro passo. Transformá‑la em processos, sistemas e dados confiáveis é onde se constrói valor no longo prazo.

Para saber mais

Para entender como plataformas integradas podem apoiar a estruturação do reporte ESG e de carbono, visite: